We came on holidays by mistake

Todo mundo que assistiu Withnail and I tem uma frase favorita, e é só começar a falar do filme que essa frase vem à tona. Eu tenho várias, e uma delas é o título desse post, que, segundo o Wilson testemunhou no festival de Reading, no verão passado, ilustrava um cartaz de adolescentes de não mais de 17 anos. Uma boa pista do tamanho da importância e influência desta comédia inglesa repleta de humor negro, ironia e elegância, rodada ao final dos anos ‘80 mas ambientada na Londres de 1969.

I (assim, sem nome mesmo, apenas um “eu”) narra a aventura de dois atores desempregados em busca de drogas, doses ilimitadas de álcool e até mesmo comida, que decidem passar um final de semana no campo, a fim de “rejuvenescer”, distantes do frio e da sujeira de seu flat em Camden Town (bairro que é para Londres o que o Bom Fim foi nos anos 80 para Porto Alegre).

Withnail and I foi produzido pela HandMade Films, de George Harrison, e isso explica por que a estrada que leva os personagens a suas “férias por engano” nos traz “All Along the Watchtower”, e a volta “Voodoo Chile”, de Hendrix. Na casa de campo, deparando-se com a mesma falta de recursos, os dois ainda tem que enfrentar um pescador que os ameaça com uma enguia morta, um fazendeiro que não gosta de londrinos, e Monty, o tio homosexual de Withnail dono da cabana, investindo em I.

Completam o quadro personagens bizarros, lunáticos ou surreais como Danny, um traficante totalmente for a de si, e seu amigo, Ed Convencido, que teve o privilégio exclusivo de aparecer na única cena da história do cinema que tem como trilha uma música dos Beatles, tocada pelos próprios: While My Guitar Gently Weeps, de Harrison.

Hamlet, de Shakespeare, recitada como homenagem a uma amizade verdadeira e ao fim da era representada no filme é nada menos que emocionante, como de resto é essa pequena obra de arte que tem o poder de fazer rir e chorar ao mesmo tempo. Eu, do meu lado, brindo o filme inglês mais inglês de todos com “os mais finos vinhos disponíveis para a humanidade” que minhas esterlinas podem comprar.

Aos amigos que quiserem ver o trailer, com legendas em português, cliquem aí embaixo. Àqueles que quiserem ver o filme, pronunciem-se: fomos pretenciosos o suficiente para traduzi-lo na íntegra.

Obrigada ao meu amor, Wilson, pela participação, desde a tradução, inserção das legendas até as palavras nesse texto.

~ por anadidonet em Março 16, 2008.

2 Respostas to “We came on holidays by mistake”

  1. Eu queeeeeroooo. Oi, Ana. Poxa, nunca mais tinha entrado aqui, me desculpa. Ando tri, mas tri atucanado mesmo no trabalho. Nem o Wilson eu tava visitando mais. Lembrei de ti dia desses, pois vi “A Scanner Darkly”, um filme bem legal (daqueles que os caras desenham por cima da película e fica uma animação muito real) que foi baseado no livro homônimo do Philip K. Dick. Tu conhece? Abração!!!

  2. Telmo, deve ter uma cópia de “Withnail and I” perto de ti. Descubro e te aviso, ok? Não assisti “A Scanner Darkly”, mas um filme do Richard Linklater é sempre bom. E o Philip K. Dick também escreveu as histórias que originaram Blade Runner e Minority Report. Sou fã.

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