Luz, câmera e Stones
Há pouco mais de um ano, Martin Scorsese recebia um Oscar por Os Infiltrados. Homenagem tardia e, por isso, constrangedora, ao diretor de Caminhos Perigosos, Taxi Driver e Os Bons Companheiros, para nomear alguns.
Caminhos Perigosos, seu primeiro filme — com Jumpin’ Jack Flash e Tell Me dos Stones na trilha – já denunciava não apenas o talento de Scorsese como diretor mas também a inseparável ligação que o mestre faria entre o cinema e a música, mais precisamente o rock.
Primeiro, em 1978, a película do último concerto da The Band, The Last Waltz. Depois, a jornada musical de The Blues e a trajetória para a fama de Bob Dylan em No Direction Home.
Segundo a mais recente publicação da Mojo, Scorsese está planejando documentários sobre George Harrison e Bob Marley, e declara que “não é um desejo colocar essas pessoas em filme, é uma compulsão.” Mas, por enquanto, vamos aos Stones.
Apelidado de ‘documentário-concerto’, Shine a Light registra duas noites da banda no Beacon Theatre, em Nova York, durante a turnê de Bigger Bang, em 2006, e mescla ainda imagens de arquivo.
“Eu estava pensando por que a música dos Stones permanece comigo”, revelou Scorsese à publicação britânica, “e é em parte porque tem sua base no blues – e eu gosto de blues [...]. Eu gosto da auto-destruição dos Stones, do desafio e da provocação.”
Shine a Light, de acordo com a Mojo, trata-se de “Stones clássico, abrindo com Jumpin’ Jack Flash e fechando com Start Me Up, Brown Sugar e Satisfaction – com algumas surpresas ao longo do caminho, incluindo uma versão soberba de Just My Imagination, As Tears Go By (a pedido de Scorsese), a fascinante Loving Cup com Jack White e a grandiosa performance de Champagne And Reefer com uma hipnótica guitarra de Buddy Guy”
“Uma vez que colocamos nossas duas máquinas para trabalharem juntas – a máquina dos Stones e a máquina do cinema – eu não posso descrever as palpitações do coração durante as reais duas horas de concerto,” diz Scorsese. “Pareceu que [a primeira música] terminou em menos de um minuto. Foi como se um tempestade tivese atingido o palco e a todos nós ao mesmo tempo[...]”.


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