Die Zukunft des Spiegels

•Outubro 5, 2008 • Deixe um comentário

Wim Wenders, durante o festival de Cannes de 1982 e em meio a um clima de pessimismo gerado pela popularidade da TV e do vídeo, perguntou a vários diretores qual o futuro do cinema, transformando esses depoimentos no filme-documentário “Chamber 666“.

Michelangelo Antonioni previu que, com tecnologias embrionárias como o videocassete e algo ainda não inventado a que chamou de “fita magnética de alta definição”, teríamos cinema em casa e todas as estruturas existentes desapareceriam, sendo substituídas por algo novo.

“Quarto 666″ é recriado, em Porto Alegre, 26 anos depois, porém dessa vez é o diretor de “Paris, Texas” e “Asas do Desejo” quem pondera sobre o futuro do “espelho”, em frente a uma câmera digital. Em “De Volta ao Quarto 666“, dirigido por Gustavo Spolidoro, além de Antonioni, outros personagens do original participam e interagem com Wenders, em forma de hologramas.

Em Nome do Pai

•Setembro 30, 2008 • Deixe um comentário

Em entrevista `a revista Mojo de novembro, Jakob Dylan descreve como é ser filho do maior compositor de todos os tempos.

“Eu tive a sorte de ter irmãos mais velhos que se envolveram com a música antes de mim. Assim, quando eu completei 11 anos, não haviam apenas instrumentos ao meu redor, mas também coleções de discos, e posters de rock estavam pendurados em todas as paredes. Mas eu sempre me interessei por música, desde o início. Eu adorava as músicas cantadas na escola. Eram belas, clássicas e eternas. Músicas americanas clássicas sempre despertaram meu interesse.

“Na nossa casa, instrumentos eram bastante acessíveis – de pianos a tubas, você poderia encontrar qualquer coisa. Eu nunca me senti intimidado por nenhum deles. Eu sempre os vi como ferramentas, antes que como instrumentos que não podiam ser utilizados a menos que se estudasse e tocasse de forma séria. Eles sempre foram reconfortantes e acessíveis.

“Naquilo que me interessava: country, blues, [meu pai] sempre me mostrou essas coisas. Uma das vantagens que tive foi, mesmo querendo ser como Joe Strummer quando pequeno, eu também sabia, pela maneira como cresci – o que não é o caso da maioria dos garotos de 11, 12 anos – que Hank Williams era tão rock star quanto Joe Strummer. Eu sabia que meus amigos não falavam de Hank Williams ou Charley Patton, coisas que eu estava ouvindo.

“Pra ser honesto, eu pensava que muita coisa que se ouvia em casa era assustadora. Não tinha nada a ver com o que tocava no rádio. Crescendo [nos anos 80], o rádio já tinha aquele brilho pop. Muitos dos discos que ouvi eram assustadores, a absoluta crueza com que foram gravados. Mas eu os considerava belos ao mesmo tempo. Aprendi que o termo ‘assustador’ era uma qualidade na música. Também, ouvir coisas tão diferentes, nunca senti que tivesse que ter um comprometimento com um determinado estilo ou gênero em particular. Eu podia gostar de uma música ou atuação independente do que fosse, não tinha importância. Entendi que há um valor em cada gênero e que Miles Davis era tão atual quanto qualquer outro disco que eu estava comprando na época.

“Certamente desenvolvi meus gostos pessoais. Fui questionado anteriormente sobre se a música que eu gostava era alguma forma de rebeldia, como é para a maioria dos garotos. Mas, sinceramente, contra o que eu iria me rebelar? (risos) Seja no que fosse que eu me metesse quando adolescente, não seria muito impressionante na minha casa, mesmo.”

Got Loaded in the Park indeed

•Agosto 28, 2008 • Deixe um comentário

De quando o amor `a vida e `a música é maior que a própria vida.

O Super-Homem em mim

•Agosto 16, 2008 • Deixe um comentário

A Liége me enviou Sargento Pimenta Forever, um livro que analisa, sob o olhar psicanalítico, os efeitos e sentimentos que Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band causou em 15 autores de diferentes gerações, através da releitura de músicas do disco homônimo em forma de ensaios, memórias ou crônicas.

Publico aqui parte da história que Oscar Cesarotto imaginou, com Freud no palco – antes de descrever a também irreal e fantástica apresentação dos Beatles em um festival dos anos ‘60 -, tudo registrado em película:

“Sigmund Freud era um grande orador [...]. Por isso, as Novas Lições, as conferências da década de 30, tinham tudo para dar certo. Na platéia, discípulos, pacientes, colegas, curiosos e detratores[...].

Freud falava sentado, oferecendo seu melhor perfil, levantando algumas vezes para escrever na lousa. Fumava o tempo todo, e bebia água cada tanto. Fato inédito na história – tanto do cinema quanto da psicanálise -, as apresentações foram filmadas por uma equipe dirigida por Fritz Lang.

A última noite foi o máximo. O programa anunciava um assunto instigante: o problema da concepção do universo. Criando um clima onírico, o espetáculo iniciou com Assim falava Zaratustra, executado por uma orquestra completa, enquanto eram projetadas, num telão, imagens aleatórias de filmes expressionistas. Freud discursou durante uma hora, e depois respondeu as perguntas da galera. No auge, não se conteve, e apesar dos anos e dos ossos, arriscou um stage-dive e se deu bem, sendo carregado pelos fãs de volta ao palco, para cumprimentar, se despedir e assinar autógrafos. Esta foi sua última aparição oficial ao vivo.”

Mana, obrigada pelo presente e por me levar de novo ao museu do Freud. Adorei a visita e o café.

When he paints his masterpiece

•Junho 30, 2008 • Deixe um comentário

Bob Dylan anda de novo pelo velho mundo, de um show com Neil Young no festival Optimus Alive!, que acontece de 10 a 12 julho em Lisboa, até a mais completa e autobiográfica mostra das obras de arte do músico americano, a partir de 14 de junho na Halcyon Gallery em Londres. Entituladas The Drawn Blank Series, as pinturas são baseadas em desenhos feitos durante as turnês entre 1989 e 1992 e podem ser vistas no site www.bobdylanart.com.

Outro dia o jornal inglês The Independent lançou uma promoção na qual o vencedor levaria uma reprodução de Sunday Afternoon, assinado por Dylan e avaliado em mil libras. Para concorrer, bastava responder à seguinte pergunta: em que casa de shows um espectador chamou Bob Dylan de Judas?

Aqui em casa ninguém levou o prêmio, mas sempre vale rever o momento documentado em que um gênio se coloca a frente de seu tempo.

A Street Art e o artista guerrilheiro

•Maio 27, 2008 • 2 Comentários

Até agora, a trajetória de um artista contemporâneo consistia em escola de arte seguida da exposição em galerias e da compra das obras por colecionadores influentes e instituições públicas, tudo isso somado a convites para festas cool. Hoje, depois do MySpace transformar a indústria da música, dos blogs tomarem os espaços dos jornais e do YouTube roubar da TV o posto de provedor primeiro de informação instantânea, a Street Art, ou Arte de Rua, utiliza a Internet como mídia para invadir o mundo da arte. Prova disso é a popularidade de sites como www.woostercollective.com; www.graffiti.org e www.picturesonwalls.com.

Com origem nos Estados Unidos, a Street Art está hoje centrada na Inglaterra, assim como as casas de leilão, que desde 2006 oferecem as mais valorizadas obras do mundo, entre elas as de artistas de rua, e as vendem rapidamente a colecionadores de arte tradicionais e celebridades, apesar de os críticos de arte britânicos a chamarem de piada ou se recusarem a comentá-la. Se em 2002 Banksy, o mais cultuado e influente artista inglês, vendia suas obras por pouco mais de 50 libras nas feiras alternativas de Londres; em fevereiro passado, no primeiro leilão de Urban Art, ou Arte Urbana, seu macaco Laugh Now obteve o lance maior, de 228 mil libras.

Toda vez que um trabalho de Banksy vai a leilão, atinge novo recorde, abrindo caminho para artistas como Adam Neate e Nick Walker. Galerias especializadas em Street Art estão também conquistando espaço. A mais famosa delas é a Laz Inc, no Soho, que representa Banksy, Paul Insect e Mode 2, uma figura que desde os primeiros anos do movimento faz arte inspirada em quadrinhos. Ano passado, Dennis Hopper e Angelina Jolie faziam ali suas apostas, e a atriz e Brad Pitt gastaram um milhão de libras apenas em obras de Banksy.

O crítico de arte Ben Lewis está produzindo um documentário sobre o atual mercado da arte, chamado Brave New Art World, e afirma que o trabalho de Banksy é interessante e deve resistir à prova do tempo porque tem uma história política e uma história cultural jovem, além do respaldo de celebridades. A mídia frequentemente se refere a ele como ele mesmo se define: “terrorista da arte”, por chamar a atenção do mundo para temas atuais através, por exemplo, da exibição Santa’s Ghetto de 2007, que consistiu na criação de pinturas com spray ao longo da barreira que separa Israel da Palestina ou, recentemente, ao espalhar o graffiti “Vote Ken” pelos prédios de Londres em apoio ao candidato a prefeito do partido trabalhista, Ken Livingston.

Em agosto de 2006, Banksy e Danger Mouse – produtor de Attack & Release dos Black Keys – repuseram nas lojas de discos britânicas 500 cópias dos CDs de estréia de Paris Hilton, incluindo remixes intitulados “Why am I Famous?”, “What Have I Done?” e “What Am I For?” . No encarte, a socialite aparece topless, com uma cabeça de cachorro e saindo de um carro de luxo, cercada de sem tetos. Além da mensagem social, há anos a Street Art afeta o mundo da publicidade, da moda e do design, e enfim passa de uma resposta trangressora contra o sistema, feita nas ruas, para algo de valor e exposta em galerias.

A partir de 23 de maio e durante três meses, a Tate Modern de Londres – galeria de arte mais popular do mundo – exibe Street Art, permitindo que a fachada do prédio, às margens do Tâmisa, seja utilizada como canvas pelos artistas europeus Blu, JR e Sixeart, os americanos Faile e os brasileiros Nunca e Os Gêmeos. Banksy, que em 2005 entrava disfarçado nos museus de Nova York para pendurar nas paredes suas versões de pinturas clássicas, e que esse ano doou alguns de seus trabalhos para galerias de arte britânicas, não participa da exibição. A galeria anunciou que ele não foi convidado, enquanto ele se manteve ocupado organizando The Cans Festival, ou Festival de Latas, que exibia o trabalho de 40 artistas do mundo todo em um antigo túnel de trem a dez minutos de caminhada da Tate Modern.

Luz, câmera e Stones

•Abril 7, 2008 • Deixe um comentário

Há pouco mais de um ano, Martin Scorsese recebia um Oscar por Os Infiltrados. Homenagem tardia e, por isso, constrangedora, ao diretor de Caminhos Perigosos, Taxi Driver e Os Bons Companheiros, para nomear alguns.

Caminhos Perigosos, seu primeiro filme — com Jumpin’ Jack Flash e Tell Me dos Stones na trilha –  já denunciava não apenas o talento de Scorsese como diretor mas também a inseparável ligação que o mestre faria entre o cinema e a música, mais precisamente o rock.

Primeiro, em 1978, a película do último concerto da The Band, The Last Waltz. Depois, a jornada musical de The Blues e a trajetória para a fama de Bob Dylan em No Direction Home.

Segundo a mais recente publicação da Mojo, Scorsese está planejando documentários sobre George Harrison e Bob Marley, e declara que “não é um desejo colocar essas pessoas em filme, é uma compulsão.” Mas, por enquanto, vamos aos Stones.

Apelidado de ‘documentário-concerto’, Shine a Light registra duas noites da banda no Beacon Theatre, em Nova York, durante a turnê de Bigger Bang, em 2006, e mescla ainda imagens de arquivo.

“Eu estava pensando por que a música dos Stones permanece comigo”, revelou Scorsese à publicação britânica, “e é em parte porque tem sua base no blues – e eu gosto de blues [...].  Eu gosto da auto-destruição dos Stones, do desafio e da provocação.”

Shine a Light, de acordo com a Mojo, trata-se de “Stones clássico, abrindo com Jumpin’ Jack Flash e fechando com Start Me Up, Brown Sugar e Satisfaction – com algumas surpresas ao longo do caminho, incluindo uma versão soberba de Just My Imagination, As Tears Go By (a pedido de Scorsese), a fascinante Loving Cup com Jack White e a grandiosa performance de Champagne And Reefer com uma hipnótica guitarra de Buddy Guy”

“Uma vez que colocamos nossas duas máquinas para trabalharem juntas – a máquina dos Stones e a máquina do cinema – eu não posso descrever as palpitações do coração durante as reais duas horas de concerto,” diz Scorsese. “Pareceu que [a primeira música] terminou em menos de um minuto. Foi como se um tempestade tivese atingido o palco e a todos nós ao mesmo tempo[...]”.

We came on holidays by mistake

•Março 16, 2008 • 2 Comentários

Todo mundo que assistiu Withnail and I tem uma frase favorita, e é só começar a falar do filme que essa frase vem à tona. Eu tenho várias, e uma delas é o título desse post, que, segundo o Wilson testemunhou no festival de Reading, no verão passado, ilustrava um cartaz de adolescentes de não mais de 17 anos. Uma boa pista do tamanho da importância e influência desta comédia inglesa repleta de humor negro, ironia e elegância, rodada ao final dos anos ‘80 mas ambientada na Londres de 1969.

I (assim, sem nome mesmo, apenas um “eu”) narra a aventura de dois atores desempregados em busca de drogas, doses ilimitadas de álcool e até mesmo comida, que decidem passar um final de semana no campo, a fim de “rejuvenescer”, distantes do frio e da sujeira de seu flat em Camden Town (bairro que é para Londres o que o Bom Fim foi nos anos 80 para Porto Alegre).

Withnail and I foi produzido pela HandMade Films, de George Harrison, e isso explica por que a estrada que leva os personagens a suas “férias por engano” nos traz “All Along the Watchtower”, e a volta “Voodoo Chile”, de Hendrix. Na casa de campo, deparando-se com a mesma falta de recursos, os dois ainda tem que enfrentar um pescador que os ameaça com uma enguia morta, um fazendeiro que não gosta de londrinos, e Monty, o tio homosexual de Withnail dono da cabana, investindo em I.

Completam o quadro personagens bizarros, lunáticos ou surreais como Danny, um traficante totalmente for a de si, e seu amigo, Ed Convencido, que teve o privilégio exclusivo de aparecer na única cena da história do cinema que tem como trilha uma música dos Beatles, tocada pelos próprios: While My Guitar Gently Weeps, de Harrison.

Hamlet, de Shakespeare, recitada como homenagem a uma amizade verdadeira e ao fim da era representada no filme é nada menos que emocionante, como de resto é essa pequena obra de arte que tem o poder de fazer rir e chorar ao mesmo tempo. Eu, do meu lado, brindo o filme inglês mais inglês de todos com “os mais finos vinhos disponíveis para a humanidade” que minhas esterlinas podem comprar.

Aos amigos que quiserem ver o trailer, com legendas em português, cliquem aí embaixo. Àqueles que quiserem ver o filme, pronunciem-se: fomos pretenciosos o suficiente para traduzi-lo na íntegra.

Obrigada ao meu amor, Wilson, pela participação, desde a tradução, inserção das legendas até as palavras nesse texto.

El Topo y El Hombre

•Fevereiro 1, 2008 • 2 Comentários

Dirigido por um “forasteiro” que andou por diversos cantos do mundo levando terror, humor e personagens maiores que a própria vida, El Topo é o épico anárquico e surrealista de Alejandro Jodorowsky que impulsionou o fenômeno dos Midnight Movies de Nova York e teve como seu maior entusiasta um dos Beatles.

El Topo teve sua estréia no The Elgin e deveu muito do seu sucesso ao convite que John Lennon fazia, após mostrar seus curtas e de Yoko Ono, a que os espectadores permanecessem para ver o próximo filme. Por outro lado, são seus os méritos pelo qual permaneceu como principal atração diária durante quase um ano no lugar que se tornaria referência no circuito underground.

Ao estilo dos westerns italianos, marcado de sangue e repleto de personagens bizarros, símbolos e mitos inspirados no cristianismo, o filme é uma sequência de cenas que parecem não pertencer mas, e aí temos a resposta se não para o enredo do filme ao menos para seu triunfo, essas informações existem por si só e se justificam e fortalecem.

A cultura dos filmes exibidos na madrugada renovaram ainda o interesse por diretores como Tod Browning, de Freaks, e propiciou a abertura de outros teatros, que exibiram os clássicos Night of The Living Dead e The Rocky Horror Picture Show, além de revelar David Lynch.

Jodorowsky planejava uma continuação para El Topo, e um novo filme do diretor foi anunciado para 2009. Bem ao estilo do homem, tudo o que temos até agora são apenas pistas. De qualquer forma, ainda há tempo para se tentar desvendar os mistérios do primeiro, e aí vai uma parte.

Viva Las Vegas

•Janeiro 10, 2008 • 2 Comentários

Assisti Quidam, um espetáculo do Cirque du Soleil há alguns anos, em Londres. Na arena de um circo sem cortinas e inspirado no surrealismo, os personagens eram manifestações dos sonhos de uma menina.

Cada show é uma síntese de estilos de circos de todo o mundo, no entanto, tem um enredo, música ao vivo durante toda a apresentação e troca de personagens que não abandonam o palco mas esperam, sentados em círculo, o seu retorno.

Com base em Montreal, Canadá, o circo atualmente conta com atores de mais de 40 países e apresenta espetáculos fixos e itinerantes, montando acampamento em todos os continentes.

Um dos shows contínuos que acontece em Las Vegas desde 2006 é LOVE. Nascido de uma amizade entre George Harrison e o fundador do circo, Guy Laliberté, o show combina as gravações originais do Beatles, reproduzidas por sir George Martin e seu filho, Giles Martin, com uma performance artística circense e interpretativa das músicas.

Um breve mas definidor resumo do resultado da primeira produção da qual a Apple Corps Ltd participa pode ser vista aqui.